Doença Carotídea

SUMÁRIO

Diferença entre AIT e AVC

  • O Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é uma alteração temporária da função cerebral que dura menos de 24 horas.
  • O Acidente Vascular Cerebral (AVC) tem déficits que não se revertem dentro desse período.

Causas do AVC

  • 25%: Ateroembolismo de grandes vasos (incluindo as artérias carótidas).
  • 25%: Doenças de pequenos vasos intracranianos.
  • 20%: Embolismo de origem cardíaca.
  • 5%: Causas indefinidas.
  • 25%: Causas desconhecidas.

Embolização Arterial

Trombos e detritos de placas ateroscleróticas podem migrar e obstruir os vasos intracranianos, causando sintomas.

Sintomas

Os sintomas dependem da localização da obstrução e da função cerebral afetada. As artérias mais comumente obstruídas são:

  • Artéria Cerebral Anterior: Irriga a superfície medial do lobo frontal, porção anterior dos gânglios da base e cápsula interna. A isquemia causa fraqueza nas pernas, perda sensorial e apatia.
  • Artéria Cerebral Média: Irriga a superfície lateral do cérebro, podendo causar hemiplegia, hemianopsia, afasia e dispraxia.
  • Embolização para a artéria da retina pode levar à amaurose fugaz, ocorrendo sempre no mesmo lado da lesão carotídea.

 

Sintomas como tontura, pré-síncope, convulsões e sintomas neurológicos periféricos não são atribuídos às artérias carótidas.

Diagnóstico e Rastreamento

  • Ultrassonografia: Principal método de rastreamento, com alta sensibilidade e especificidade.
  • Critérios de risco: Pacientes acima de 65 anos com dois ou mais fatores de risco devem ser rastreados.
  • Índice Intimal-Médio: Um valor acima de 1,5 indica a presença de placas.

Angiografia

A angiografia é o padrão-ouro para o diagnóstico. Existem dois métodos principais para medir a estenose carotídea:

  • Método NASCET: Compara o diâmetro da estenose com o segmento normal da artéria distal.
  • Método ECST: Compara o diâmetro da estenose com uma estimativa do diâmetro original da artéria.

 

Comparando os métodos:

  • O NASCET tende a calcular uma estenose menor.
  • O ECST tende a calcular uma estenose maior.

 

Exemplo: Se a estenose mede 2 mm, o diâmetro normal distal é 6 mm e o diâmetro original estimado é 8 mm:

  • NASCET = 67% de estenose.
  • ECST = 75% de estenose.

Tratamento Clínico

Para todos os pacientes com aterosclerose carotídea:

  • Pressão arterial <140/90 mmHg.
  • Controle do diabetes (HbA1c <7%).
  • Cessar tabagismo.
  • Praticar atividade física.
  • Reduzir o consumo de álcool.
  • Controlar dislipidemia (LDL <70 mg/dL).
  • Uso de AAS 100 mg/dia e estatinas de alta potência (atorvastatina 40 mg/dia).

Indicação para Cirurgia: Assintomáticos

Considera-se assintomático quando a estenose é maior que 50%, sem eventos clínicos ou radiológicos nos últimos 6 meses.

Se a ressonância mostra uma área isquêmica associada à estenose, o paciente é considerado sintomático, mesmo sem sintomas.

Critérios que indicam maior risco de AVC em assintomáticos:

  • Microembolização no Doppler transcraniano.
  • Placa hipoecogêncica.
  • Progressão da estenose.
  • Infarto silencioso no exame de imagem.
  • Reserva cerebrovascular reduzida.
  • Hemorragia intraplaca.

 

Se indicado tratamento, a endarterectomia é preferida, salvo em pacientes de alto risco cirúrgico.

Indicação para Cirurgia: Sintomáticos

A cirurgia é indicada para estenose >50%, com preferência pela endarterectomia. Pacientes com suboclusão ou oclusão total não são candidatos à revascularização.

Procedimentos Cirúrgicos

  1. Anestesia: Pode ser geral ou local. A geral facilita o trabalho da equipe; a local permite avaliação neurológica imediata.
  2. Shunt: Indicado em casos com pressão de refluxo <45 mmHg ou oclusão contralateral.
  3. Uso de Patch: Recomendado para fechamento, sem consenso sobre o melhor material.
  4. Drenagem Cervical: Deve ser de grande calibre e removido em até 24 horas.
  5. Reversão da Heparina: Recomendada com protamina para evitar hematomas cervicais.

Angioplastia

Alternativa à endarterectomia se o risco de AVC ou óbito for <6%. Indicada em:

  • Anatomia desfavorável.
  • Pescoço hostil.
  • Disfunção ventricular grave.

Complicações

Principal causa de óbito: Infarto agudo do miocárdio (IAM).

Eventos neurológicos: Segunda causa de óbito.

Hematoma cervical: Reabordagem precoce necessária.

Lesões nervosas: Hipoglosso, vago, facial (ramo mandibular), laríngeo superior e acessório podem ser afetados.

NASCET
ECST
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