PARÂMETROS DE INFUSÃO DE CONTRASTE EM BOMBA INJETORA PARA REALIZAÇÃO DE ANGIOGRAFIAS

Parâmetros de injeção de contraste na angiografia arterial e venosa

Esta revisão reúne parâmetros publicados de fluxo, volume e pressão para injeção de contraste por bomba injetora durante angiografia invasiva por cateter. Os dados contemplam aorta, vasos viscerais, circulação cerebral, coronárias, artérias pulmonares, circulação periférica e diferentes modalidades de venografia.

Os valores devem ser interpretados como referências técnicas iniciais para pacientes adultos. Eles não substituem a avaliação do operador, o teste de injeção, as características hemodinâmicas do paciente nem as instruções de uso do cateter, da extensão, dos conectores e da bomba injetora.

Atenção: os valores apresentados não devem ser transformados diretamente em presets automáticos sem vinculação ao tipo, calibre, comprimento e modelo do cateter. A pressão máxima deve sempre respeitar o componente de menor resistência do sistema.

Tabela rápida de parâmetros arteriais

Angiografia arterial por cateter em adultos
Território/técnica Fluxo Volume Pressão
Arco aórtico — cateter pigtail ou flush 20–25 mL/s 30–50 mL Limite do conjunto e do cateter
Aorta abdominal suprarrenal — pigtail 15–20 mL/s 30–40 mL Limite do conjunto e do cateter
Aorta abdominal — opacificação de alto fluxo 20–25 mL/s Aproximadamente 50 mL Limite do conjunto e do cateter
Aorta distal ou pelve — protocolo de baixo volume Aproximadamente 7 mL/s Aproximadamente 14 mL Limite do conjunto e do cateter
Angiografia pélvica não seletiva 7–15 mL/s 14–60 mL Limite do conjunto e do cateter
Tronco celíaco 5–7 mL/s 30–60 mL Limite do cateter
Artéria esplênica 5–6 mL/s 30–50 mL Limite do cateter
Artéria hepática comum ou própria 4–15 mL/s 15–30 mL Limite do cateter
Artéria gástrica esquerda 3–4 mL/s 6–16 mL Limite do cateter
Artéria gastroduodenal 3–4 mL/s 6–16 mL Limite do cateter
Artéria mesentérica superior 5–7 mL/s 30–60 mL Limite do cateter
Artéria mesentérica inferior 3–5 mL/s 9–20 mL Limite do cateter
Artéria renal seletiva Não universalmente padronizado Aproximadamente 10–12 mL em protocolos publicados Limite do cateter
Artéria pulmonar principal — pigtail multiorifício 25–30 mL/s 50–60 mL em aproximadamente 2 segundos Limite do pigtail e da extensão

Tabela rápida de neuroangiografia

Protocolos de referência para angiografia cerebral
Território/técnica Fluxo Volume Pressão
Artéria carótida comum Aproximadamente 7 mL/s Aproximadamente 12 mL Limite do cateter e do conjunto
Artéria carótida interna Aproximadamente 6 mL/s Aproximadamente 8 mL Limite do cateter e do conjunto
Artéria carótida externa Aproximadamente 3 mL/s Aproximadamente 5–6 mL Limite do cateter e do conjunto
Artéria vertebral Aproximadamente 4–5 mL/s Aproximadamente 8 mL Limite do cateter e do conjunto
Artéria vertebral esquerda com cateter na subclávia 4–6 mL/s 10–12 mL Limite do cateter e do conjunto
Carótida interna — angiografia rotacional 3D Aproximadamente 3 mL/s Aproximadamente 18 mL Limite do cateter e do conjunto
Artéria vertebral — angiografia rotacional 3D Aproximadamente 3 mL/s Aproximadamente 18 mL Limite do cateter e do conjunto
Aquisição rotacional da fase venosa após injeção na carótida interna Aproximadamente 3,5 mL/s Aproximadamente 15 mL Limite do cateter arterial
Aquisição rotacional da fase venosa após injeção vertebral Aproximadamente 3 mL/s Aproximadamente 18 mL Limite do cateter arterial

Tabela rápida de angiografia coronária e periférica

Protocolos publicados específicos
Território/técnica Fluxo Volume Pressão
Coronária esquerda — sistema com cateter 7,3 F 4–6 mL/s 7–10 mL 150 psi no protocolo publicado
Coronária direita — sistema com cateter 7,3 F 3–5 mL/s 6–8 mL 150 psi no protocolo publicado
Angiografia escalonada do membro inferior — coxa, joelho e perna Aproximadamente 3 mL/s Aproximadamente 9 mL por estágio 300 psi no protocolo publicado
Angiografia escalonada do membro inferior — pé Aproximadamente 3 mL/s Aproximadamente 15 mL 300 psi no protocolo publicado
Angiografia periférica seletiva ou infrapoplítea Definido por injeção-teste Definido por injeção-teste Limite do cateter; sem PSI universal
Angiografia com microcateter Dependente do modelo e do território Dependente do modelo e do objetivo Somente se homologado para power injection

Tabela rápida de angiografia venosa

Venografia e técnicas venosas selecionadas
Território/técnica Fluxo Volume Pressão
Flebografia ascendente de membro inferior por acesso no tornozelo Aproximadamente 1 mL/s em protocolo publicado Não universalmente padronizado Limite do acesso e da extensão
Flebografia convencional de uma extremidade Não universalmente padronizado Aproximadamente 50–100 mL por extremidade em referências tradicionais Limite do acesso e da extensão
Venografia hepática livre Injeção manual suave ou protocolo individualizado Determinado por injeção-teste Sem pressão fixa universal
Venografia hepática impactada com contraste iodado Injeção manual controlada Aproximadamente 10 mL em estudo publicado Não utilizar preset automático de alta pressão
Venografia hepática impactada com dióxido de carbono Injeção manual controlada Aproximadamente 30–40 mL de CO₂ Técnica própria de administração de CO₂
Venografia de veia cava inferior Individualizado conforme cateter e posição Individualizado Limite do cateter e do conjunto
Venografia de veia cava superior Individualizado conforme cateter e posição Individualizado Limite do cateter e do conjunto
Venografia iliocaval Individualizado conforme acesso, obstrução e circulação colateral Individualizado Limite do cateter e do conjunto
Venografia renal seletiva Definido por injeção-teste Definido por injeção-teste Limite do cateter; evitar alta pressão em posição impactada

Nas tabelas, a expressão “limite do conjunto” significa o menor limite de pressão entre seringa, bomba, extensão, torneira, conector, bainha e cateter. A capacidade máxima da bomba não deve ser interpretada como pressão autorizada para o cateter.

Como interpretar corretamente os valores

O fluxo, expresso em mililitros por segundo, representa a velocidade com que o contraste é administrado. O volume representa a quantidade total utilizada em cada injeção. A duração da injeção pode ser calculada dividindo-se o volume total pelo fluxo.


Duração da injeção = volume total ÷ fluxo

Uma injeção de 40 mL realizada a 20 mL/s, por exemplo, terá duração aproximada de dois segundos. Essa relação é relevante porque a aquisição das imagens precisa ser sincronizada com a chegada e a permanência do contraste no território examinado.

O objetivo da injeção não é simplesmente preencher o vaso com a maior quantidade possível de contraste. O objetivo é obter substituição adequada do sangue por contraste durante a janela de aquisição, evitando refluxo excessivo, movimento do cateter, aumento desnecessário da carga de iodo e elevação inadequada da pressão intravascular.

Uma mesma artéria pode exigir parâmetros diferentes conforme o exame seja realizado para diagnóstico, road map, investigação de sangramento, avaliação de tumor, estudo de malformação vascular, cone-beam CT ou controle após uma intervenção.

Por que não existe uma pressão padrão para cada território

A pressão necessária para atingir determinado fluxo não é definida apenas pelo tamanho do vaso. Ela é principalmente consequência da resistência hidráulica do sistema utilizado para administrar o contraste.

Os principais fatores que aumentam a pressão são:

  • -redução do diâmetro interno do cateter;
  • -aumento do comprimento do cateter;
  • -presença de fio-guia dentro do lúmen;
  • -uso de extensões longas ou de pequeno diâmetro;
  • -uso de múltiplas torneiras e conectores;
  • -contraste mais viscoso;
  • -contraste administrado em temperatura mais baixa;
  • -aumento do fluxo programado;
  • -dobras, compressões, obstruções ou defeitos no sistema.


Por isso, não é tecnicamente correto programar 300, 600 ou 1.200 psi apenas porque o exame envolve a aorta, uma artéria visceral ou um território cerebral. A pressão deve ser limitada pela especificação do componente de menor resistência.

Existem bombas angiográficas capazes de operar com pressões de até 1.200 psi e fluxos de até 30 mL/s. Isso representa a capacidade técnica do equipamento e de determinados consumíveis, não uma autorização para aplicar esse limite a qualquer cateter.

Estudos experimentais demonstraram que cateteres de maior calibre podem permanecer abaixo de aproximadamente 300 psi em fluxos moderados, enquanto o aumento do fluxo, a manutenção do fio-guia no interior do cateter ou a utilização de contraste mais viscoso podem exigir pressões superiores. Esses resultados não podem ser extrapolados automaticamente para outros modelos.

Regra operacional: o limite de pressão programado deve ser o menor valor capaz de atingir o fluxo necessário sem ultrapassar a especificação de qualquer componente do circuito.

Aorta e grandes vasos

O arco aórtico e a aorta abdominal apresentam alto débito e grande volume sanguíneo. Por esse motivo, geralmente exigem cateteres multiorifícios e fluxos mais elevados para produzir opacificação homogênea.

Para o arco aórtico, são descritos fluxos entre 20 e 25 mL/s e volumes entre 30 e 50 mL. Na aorta abdominal, protocolos de alta opacificação utilizam valores semelhantes, frequentemente com aproximadamente 50 mL de contraste.

Protocolos mais conservadores para aorta abdominal suprarrenal utilizam aproximadamente 15 a 20 mL/s e 30 a 40 mL. Na aorta distal ou na pelve, o fluxo pode ser reduzido quando o objetivo é avaliar a bifurcação aórtica e os eixos ilíacos.

O cateter deve estar centralizado, sem encostar diretamente na parede. Cateteres pigtail ou flush com múltiplos orifícios distribuem o jato e reduzem a concentração da força em um único ponto.

Em aneurismas, fístulas arteriovenosas ou estados de alto débito, o fluxo necessário para opacificação pode ser maior. Entretanto, o aumento deve ocorrer após teste e avaliação fluoroscópica, e não pela simples seleção automática do maior valor disponível.

Angiografia visceral

Na angiografia visceral, o volume depende de quanto tempo a aquisição deve acompanhar o contraste. Estudos voltados apenas à fase arterial podem utilizar volumes menores. Estudos destinados a documentar fase parenquimatosa, drenagem venosa ou fase portal exigem aquisições e injeções mais prolongadas.

Tronco celíaco e artéria mesentérica superior

Para o tronco celíaco e a artéria mesentérica superior, são descritos fluxos de aproximadamente 5 a 7 mL/s, com volumes totais entre 30 e 60 mL. O limite superior é mais compatível com angiografia diagnóstica completa, incluindo fases parenquimatosa e venosa.

Em procedimentos terapêuticos modernos, especialmente embolizações seletivas, esses volumes podem ser excessivos. A posição mais distal do cateter, a redução do território perfundido e o uso de microcateter exigem redução substancial do fluxo e do volume.

Artéria hepática

A faixa publicada para angiografia hepática é ampla, variando aproximadamente de 4 a 15 mL/s e de 15 a 30 mL. Essa amplitude não significa que 15 mL/s seja apropriado para qualquer injeção hepática.

Os valores mais altos correspondem principalmente a injeções proximais em vasos de maior calibre e a protocolos específicos de aquisição. Em cateterizações seletivas ou superseletivas, o fluxo deve ser reduzido e definido por injeção-teste.

Após embolização ou radioembolização, a angiografia de controle deve ser realizada suavemente. Uma injeção agressiva pode deslocar partículas, provocar refluxo ou alterar artificialmente o padrão de fluxo.

Artérias gástrica, gastroduodenal e mesentérica inferior

Para as artérias gástrica esquerda e gastroduodenal, são descritos fluxos de aproximadamente 3 a 4 mL/s e volumes de 6 a 16 mL. Para a artéria mesentérica inferior, são descritos aproximadamente 3 a 5 mL/s e 9 a 20 mL.

Antes da injeção, deve-se confirmar que o cateter não está impactado, que existe refluxo sanguíneo e que o jato não está diretamente direcionado contra a parede do vaso.

Angiografia renal

A angiografia renal seletiva apresenta menor padronização que a aortografia e a angiografia mesentérica. Protocolos publicados descrevem volumes próximos de 10 a 12 mL, mas frequentemente não informam de maneira suficiente o fluxo, a pressão, o rise time ou todos os componentes do sistema.

Portanto, não é defensável criar um único preset renal baseado apenas no território. O fluxo deve ser definido considerando o calibre da artéria renal, o diâmetro do cateter, a presença de estenose ostial, a posição da ponta, o débito renal e o objetivo da aquisição.

Em estenose ostial grave ou posição instável, a injeção deve ser reduzida. A administração agressiva pode deslocar o cateter, provocar refluxo para a aorta ou gerar movimento que prejudique a interpretação.

Angiografia pulmonar

A angiografia da artéria pulmonar principal exige alto fluxo devido ao elevado débito do território. Protocolos tradicionais descrevem aproximadamente 25 a 30 mL/s por cerca de dois segundos, totalizando aproximadamente 50 a 60 mL.

Esses valores pressupõem a utilização de cateter pigtail multiorifício corretamente posicionado. Não devem ser utilizados por meio de cateter end-hole convencional sem confirmação explícita de compatibilidade.

O fluxo e o volume devem ser reduzidos em pacientes com hipertensão pulmonar significativa, baixo débito cardíaco, disfunção ventricular direita, dilatação importante da artéria pulmonar ou instabilidade hemodinâmica.

Protocolos contemporâneos utilizados durante trombectomia pulmonar podem empregar volumes e fluxos menores para controle localizado. Esses valores representam um objetivo diferente da angiografia pulmonar diagnóstica completa.

Neuroangiografia

A neuroangiografia é um dos territórios com maior preocupação quanto à padronização do fluxo, porque injeções excessivas podem aumentar refluxo, deslocar o cateter e produzir alterações transitórias da pressão e do fluxo local.

Uma pesquisa com programas de neurorradiologia encontrou como valores modais aproximadamente 7 mL/s e 12 mL para a carótida comum, 6 mL/s e 8 mL para a carótida interna e 5 mL/s e 8 mL para a artéria vertebral.

Outras séries utilizaram valores um pouco mais conservadores, como 5 mL/s para carótida comum e 4 mL/s para carótida interna e vertebral. Essa variação demonstra que os valores dependem do cateter, do equipamento, da anatomia e da experiência institucional.

Na artéria carótida externa, protocolos publicados utilizam aproximadamente 3 mL/s e 5 a 6 mL. Em ramos externos distais, a injeção automática deve ser reduzida ou substituída por injeção manual controlada.

Na angiografia vertebral esquerda com o cateter posicionado na artéria subclávia, podem ser necessários aproximadamente 4 a 6 mL/s e 10 a 12 mL, porque parte do contraste pode se distribuir pela artéria subclávia e pelo membro superior.

Angiografia rotacional 3D

A angiografia rotacional requer injeção mais prolongada que uma aquisição planar convencional. Protocolos publicados descrevem aproximadamente 3 mL/s e 18 mL para carótida interna ou vertebral, com atraso de aquisição em torno de 1,5 segundo.

Para reconstrução da fase venosa cerebral após injeção arterial, foram descritos atrasos de aquisição próximos de cinco segundos. Isso não corresponde a uma venografia cerebral por cateterização venosa direta, mas a uma aquisição tardia após injeção arterial.

O rise time em neuroangiografia frequentemente é mantido curto, na faixa de aproximadamente 0,1 a 0,3 segundo em alguns protocolos. Entretanto, ele deve ser ajustado ao tipo de cateter e ao risco de deslocamento.

Angiografia coronária automatizada

A angiografia coronária continua sendo frequentemente realizada por injeção manual ou por sistemas automatizados de fluxo variável. Os parâmetros apresentados na tabela provêm de um protocolo publicado com cateteres Judkins ou Amplatz de aproximadamente 7,3 F, manifold e linha de alta pressão.

Nesse sistema, a coronária esquerda foi estudada com aproximadamente 4 a 6 mL/s e 7 a 10 mL. Para a coronária direita, utilizaram-se aproximadamente 3 a 5 mL/s e 6 a 8 mL. O limite da bomba foi configurado em 150 psi.

Esse valor de pressão é específico para o conjunto utilizado no estudo. Não deve ser transferido automaticamente para cateteres menores, extensões diferentes ou sistemas contemporâneos sem análise da respectiva documentação técnica.

Antes de cada injeção automática, é necessário confirmar a posição do cateter com pequena injeção manual, verificar a curva pressórica e excluir intubação profunda, obstrução ostial ou direcionamento do orifício contra a parede.

Artérias pequenas, estenoses ostiais importantes e cateteres profundamente introduzidos exigem redução do fluxo e do volume. Amortecimento da curva pressórica, ventricularização, dor, deslocamento do cateter ou refluxo inadequado devem levar à interrupção imediata.

Angiografia periférica

A circulação periférica apresenta grande variação anatômica e hemodinâmica. Não existe uma única configuração válida para artérias femoral, poplítea, tibiais, fibular, pediosa, braquial, radial, ulnar e arcos palmar ou plantar.

A técnica pode envolver injeção na aorta distal, bainha anterógrada, cateter seletivo, stepping table, múltiplas estações ou avaliação de perfusão. Cada modalidade exige sincronização distinta entre o bolus e o deslocamento da mesa ou do detector.

Em um protocolo escalonado de membros inferiores, foram utilizados aproximadamente 3 mL/s, 9 mL por estação nas regiões proximal, femoral e poplítea e 15 mL na aquisição do pé, com limite de 300 psi. Esses valores pertencem ao método e ao conjunto descritos no estudo, não a uma regra universal.

O território infrapoplíteo deve ser avaliado com injeção-teste. O fluxo necessário depende da posição do cateter, do grau de oclusão, do leito de saída, da presença de fístula, da circulação colateral e da necessidade de acompanhar o contraste até o pé.

Em oclusões extensas, a simples elevação do fluxo pode apenas aumentar refluxo e pressão sem melhorar a opacificação distal. Nesses casos, pode ser necessário alterar a posição do cateter, prolongar a aquisição ou utilizar injeção mais lenta.

Angiografia venosa

A literatura sobre injeção em venografia é consideravelmente menos padronizada do que a literatura arterial. Muitos estudos informam o volume, mas omitem o fluxo, a pressão, o rise time, o tipo de cateter ou o modelo da bomba.

Em sistemas venosos obstruídos, a injeção pode produzir refluxo e preenchimento de colaterais sem representar adequadamente o lúmen residual. Na avaliação iliocaval, a venografia também pode subestimar estenoses e compressões, razão pela qual o ultrassom intravascular pode ser necessário.

Flebografia ascendente

Na flebografia ascendente por acesso no tornozelo, foi publicado fluxo próximo de 1 mL/s em protocolo específico. A técnica depende da posição do paciente, do uso de garrotes, do local de acesso, da presença de trombose e do território que se pretende opacificar.

Referências tradicionais citam volumes totais entre aproximadamente 50 e 100 mL por extremidade. Esses números devem ser interpretados com cautela, porque correspondem a técnicas diagnósticas clássicas e não necessariamente aos protocolos atuais de baixo contraste.

Venografia de veias cavas e sistema iliocaval

Não foi identificada uma combinação universal, sustentada por literatura de alto nível, de fluxo, volume e pressão para venografia da veia cava superior, veia cava inferior ou sistema iliocaval.

Os valores devem ser individualizados conforme a distância entre o cateter e a lesão, o local do acesso, o grau de obstrução, a presença de trombo, a circulação colateral, o calibre da veia e a necessidade de demonstrar refluxo.

Em oclusões completas, volumes elevados podem apenas preencher colaterais e aumentar a pressão local. Nesses casos, a injeção deve começar em volume reduzido e ser ajustada com base na imagem obtida.

Venografia hepática livre e impactada

A venografia hepática livre deve ser realizada com injeção suave, suficiente para demonstrar a veia hepática, a comunicação com a veia cava inferior e eventuais colaterais.

Na venografia hepática impactada, o cateter oclui o fluxo de saída. A injeção ocorre, portanto, em um compartimento de maior resistência. A aplicação de bomba com pressão elevada pode causar extravasamento, ruptura de pequenos ramos e lesão capsular.

Em estudos relacionados à criação de TIPS, foram descritos aproximadamente 10 mL de contraste iodado por injeção manual. O dióxido de carbono foi utilizado em volumes aproximados de 30 a 40 mL para melhorar a passagem sinusoidal e a visualização portal em situações selecionadas.

A utilização de CO₂ exige sistema específico, prevenção rigorosa de contaminação com ar e conhecimento de suas contraindicações. Os volumes de CO₂ não podem ser convertidos diretamente em volumes equivalentes de contraste iodado.

Microcateteres e cateteres de pequeno calibre

A presença de um microcateter altera completamente a resistência do sistema. Pequenas alterações no diâmetro interno, comprimento ou viscosidade do contraste podem produzir grande elevação da pressão.

Alguns estudos experimentais testaram microcateteres em pressões elevadas para determinar ruptura ou falha mecânica. Esses valores representam testes de bancada e não devem ser interpretados como configurações clínicas recomendadas.

A injeção automática somente deve ser realizada quando o modelo do microcateter for explicitamente classificado pelo fabricante como compatível com power injection. Mesmo nesses casos, o operador deve respeitar simultaneamente o fluxo máximo e a pressão máxima.

Em cateterização superseletiva, a injeção manual controlada continua sendo frequentemente mais adequada, porque permite sentir a resistência e interromper imediatamente a administração.

Concentração, viscosidade e temperatura do contraste

Os protocolos de referência geralmente utilizam contraste iodado não iônico com concentrações aproximadas entre 300 e 370 mg de iodo por mililitro.

A concentração de iodo influencia a intensidade da opacificação. Entretanto, contrastes mais concentrados tendem a apresentar maior viscosidade, o que pode aumentar a pressão necessária para atingir o mesmo fluxo.

O aquecimento do contraste próximo à temperatura corporal reduz sua viscosidade e facilita a administração por cateteres longos ou de menor calibre. Isso pode diminuir a pressão necessária para determinado fluxo.

A diluição com solução salina pode ser utilizada em angiografias seletivas ou superseletivas para reduzir a carga de iodo e evitar opacificação excessiva. A diluição deve ser registrada no protocolo, porque modifica tanto a concentração de iodo quanto a viscosidade.

Rise time e sincronização da aquisição

O rise time é o intervalo necessário para a bomba atingir o fluxo programado. Um rise time muito curto produz aceleração abrupta, pico de pressão e maior risco de deslocamento do cateter.

Em cateteres multiorifícios de grande calibre, pode ser utilizado rise time curto. Em cateteres end-hole, seletivos ou instáveis, uma subida mais progressiva pode ser necessária.

O protocolo deve diferenciar:

  • -injection delay: intervalo entre o início da aquisição e o início da injeção;
  • -acquisition delay: intervalo entre o início da injeção e o início da aquisição;
  • -rise time: tempo necessário para atingir o fluxo programado;
  • -duração da injeção: volume total dividido pelo fluxo;
  • -duração da aquisição: tempo total necessário para registrar as fases desejadas.


A fase arterial geralmente exige atraso mínimo. A avaliação parenquimatosa, portal ou venosa requer aquisição prolongada ou início retardado.

Parâmetros obrigatórios em um protocolo institucional

Uma configuração segura não deve registrar apenas fluxo e volume. Cada protocolo institucional deve documentar:

  1. -território vascular e objetivo clínico da injeção;
  2. -posição exata da ponta do cateter;
  3. -fabricante, modelo, calibre e comprimento do cateter;
  4. -diâmetro interno e presença de orifícios laterais;
  5. -presença ou retirada do fio-guia durante a injeção;
  6. modelo, comprimento e pressão máxima da extensão;
  7. -torneiras, conectores e bainhas presentes no circuito;
  8. -tipo e concentração do contraste;
  9. -temperatura do contraste;
  10. -eventual diluição e proporção utilizada;
  11. -fluxo programado em mL/s;
  12. -volume total por injeção;
  13. -limite de pressão em psi ou kPa;
  14. -rise time;
  15. -atraso da injeção ou da aquisição;
  16. -quadros por segundo;
  17. -duração total da aquisição;
  18. -orientação respiratória;
  19. -volume acumulado de contraste durante o procedimento;
  20. -carga total de iodo;
  21. -critérios para interrupção imediata.


Verificações antes da injeção automática

Antes de acionar a bomba, devem ser confirmados:

  • -retorno sanguíneo pelo cateter;
  • -ausência de ar em toda a extensão;
  • -ausência de dobras, compressões ou conexões frouxas;
  • -posição fluoroscópica da ponta;
  • -ausência de impactação do cateter;
  • -compatibilidade do cateter com injeção automática;
  • -compatibilidade da extensão com a pressão programada;
  • -fluxo máximo permitido pelo fabricante;
  • -pressão máxima permitida pelo fabricante;
  • -volume e concentração corretos do contraste;
  • -programação correta da aquisição.


Quando houver dúvida sobre a posição do cateter, deve ser realizada pequena injeção manual de teste sob fluoroscopia.

Critérios de interrupção

A injeção deve ser interrompida imediatamente diante de:

  • -alarme de pressão ou incapacidade de atingir o fluxo programado;
  • -movimento ou recuo do cateter;
  • -dor intensa ou inesperada;
  • -extravasamento;
  • -refluxo excessivo;
  • -opacificação subintimal;
  • -alteração da curva pressórica;
  • -bradicardia, arritmia ou instabilidade hemodinâmica;
  • -resistência incompatível com o teste inicial;
  • -suspeita de falha do cateter, extensão ou conector.

Conclusão

Os territórios com maior disponibilidade de parâmetros publicados são a aorta, os vasos viscerais proximais, a artéria pulmonar, a circulação cerebral e as coronárias quando utilizadas com sistemas automatizados específicos.

A angiografia periférica seletiva, a angiografia renal, a venografia iliocaval, a venografia renal e as injeções por microcateter apresentam menor padronização. Nesses cenários, a criação de presets fixos e independentes do cateter seria inadequada.

A forma mais segura de estruturar um protocolo é utilizar faixas iniciais de fluxo e volume, vinculadas ao modelo do cateter e ao conjunto de injeção, com confirmação por injeção-teste e possibilidade de ajuste pelo operador.

A pressão não deve ser tratada como parâmetro anatômico. Ela é uma consequência da interação entre fluxo, viscosidade, temperatura, diâmetro, comprimento e resistência do sistema.

Síntese prática: utilizar o menor fluxo e o menor volume capazes de produzir opacificação diagnóstica adequada, respeitando sempre o limite de pressão do componente mais restritivo.

Referências principais

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  7. Estudos técnicos de angiografia rotacional cerebral publicados no American Journal of Neuroradiology.
  8. Estudos de angiografia escalonada e perfusão de membros inferiores publicados em periódicos de radiologia intervencionista e cirurgia vascular.
  9. Estudos de venografia hepática impactada com contraste iodado e dióxido de carbono durante planejamento de TIPS.
  10. Documentação técnica e registros regulatórios de bombas, seringas e extensões angiográficas de alta pressão.