Aneurismas Periféricos

SUMÁRIO

Definição

Os aneurismas periféricos são dilatações arteriais que excedem 50% do diâmetro normal da artéria. Se uma artéria tem 10 mm de diâmetro, por exemplo, é considerada aneurismática quando atinge 15 mm. Quando o diâmetro está entre 10 e 15 mm, a condição é classificada como ectasia. 

Epidemiologia

Embora pouco frequentes na população geral, os aneurismas periféricos são uma preocupação constante na prática da cirurgia vascular. Pacientes com um aneurisma em determinada localização podem apresentar outros em diferentes segmentos arteriais, o que torna a triagem completa fundamental.

As causas mais comuns

As causas mais comuns incluem a degeneração da parede arterial, aterosclerose, displasia fibromuscular e doenças do tecido conjuntivo. Além disso, fatores como idade avançada e diabetes contribuem para a progressão do processo degenerativo das artérias.

Presença de calcificação e trombo mural

Durante muitos anos, acreditou-se que a presença de calcificação e trombo mural protegia o aneurisma contra a ruptura. No entanto, estudos mais recentes demonstram que esse conceito não se sustenta, sendo fundamental avaliar o risco de cada paciente individualmente. Para isso, conhecer o diâmetro esperado das artérias normais é essencial, permitindo a correta interpretação de exames e a definição da necessidade de intervenção.

Diagnóstico e Métodos de Imagem

O diagnóstico dos aneurismas periféricos é realizado principalmente por exames de imagem. A ecografia vascular com Doppler é amplamente utilizada, pois é um exame acessível, seguro e capaz de fornecer informações detalhadas sobre a anatomia do aneurisma e o fluxo sanguíneo. Entretanto, suas limitações incluem menor precisão em pacientes obesos ou com meteorismo intestinal.

A angiotomografia é o exame de escolha para a avaliação detalhada e o planejamento terapêutico. A técnica permite a reconstrução multiplanar da imagem, possibilitando a identificação da localização exata do aneurisma, sua extensão e a presença de trombos murais. Já a arteriografia diagnóstica, apesar de ser um exame dinâmico que permite a análise do fluxo sanguíneo em tempo real, não avalia a parede arterial nem identifica trombos, sendo mais útil para o planejamento do tratamento.

Critérios para Tratamento

A abordagem terapêutica dos aneurismas periféricos depende de sua localização, diâmetro e manifestações clínicas. Aneurismas fusiformes assintomáticos, por exemplo, costumam ser tratados apenas quando atingem um tamanho significativo, enquanto os saculares, pseudoaneurismas e aneurismas sintomáticos exigem tratamento independente do diâmetro.

Opções de tratamento

As principais opções incluem a cirurgia convencional e o tratamento endovascular, sendo a escolha guiada pela anatomia do paciente e pela experiência da equipe médica. Quando viável, o tratamento endovascular pode envolver o uso de stents revestidos, embolização com molas ou técnicas híbridas.

Aneurismas da artéria subclávia

Os aneurismas da artéria subclávia podem estar relacionados à síndrome do desfiladeiro torácico, especialmente quando ocorrem na terceira porção da artéria. O diagnóstico pode ser realizado por tomografia ou ressonância magnética, sendo importante avaliar a presença de compressão nervosa associada. O tratamento pode ser endovascular ou cirúrgico, dependendo da localização e do envolvimento dos ramos arteriais.

Aneurismas da artéria braquial e distais

Já os aneurismas da artéria braquial e da artéria ulnar geralmente possuem origem traumática, muitas vezes associada ao uso repetitivo de ferramentas ou atividades que geram impacto constante na região do punho. O risco de embolização distal nesses casos é significativo, tornando o tratamento cirúrgico a opção mais indicada.

Aneurismas ilíacos

No caso dos aneurismas ilíacos, a decisão sobre a abordagem terapêutica é baseada na presença de sintomas e no diâmetro do aneurisma. A indicação cirúrgica geralmente ocorre quando o aneurisma ultrapassa 30 mm, mas diretrizes europeias recentes sugerem um novo limite de 35 mm para intervenção. O tratamento endovascular tem se mostrado uma alternativa viável, permitindo a preservação da circulação para a artéria hipogástrica e reduzindo a necessidade de cirurgia aberta.

Aneurismas da artéria femoral comum

Os aneurismas da artéria femoral comum também são relativamente frequentes e frequentemente associados a aneurismas da aorta. A formação de pseudoaneurismas nessa localização é comum devido ao grande número de procedimentos invasivos realizados na região. Nesses casos, a cirurgia costuma ser a abordagem preferida, especialmente em aneurismas sintomáticos ou pseudoaneurismas com risco de ruptura.

Aneurismas da artéria poplítea

Entre os aneurismas periféricos, o da artéria poplítea é o mais prevalente e apresenta forte associação com aneurisma da aorta abdominal. Isso reforça a necessidade de uma triagem completa, já que a presença de um aneurisma poplíteo pode indicar a existência de outros aneurismas sincrônicos.

A indicação cirúrgica baseia-se no risco de embolização distal e na probabilidade de trombose, que podem levar à perda do membro. No entanto, há divergências na literatura quanto ao diâmetro mínimo para intervenção, variando entre 20 mm e 30 mm, dependendo da referência utilizada.

Artéria isquiática persistente

A artéria isquiática persistente é uma anomalia congênita rara que pode sofrer degeneração aneurismática. O sinal de Kovacs, caracterizado pela ausência de pulso femoral com pulso poplíteo palpável, é um achado clássico dessa condição. Quando há presença de aneurisma ou complicações embólicas, o tratamento cirúrgico é necessário.

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