A aorta ascendente é a primeira porção da aorta e se origina no ventrículo esquerdo do coração, na valva aórtica. Ela segue em direção superior e ligeiramente à direita, até a transição com o arco aórtico, aproximadamente ao nível da segunda articulação esternocostal direita.
Possui cerca de 5 cm de comprimento e seu diâmetro normal varia de 30 a 40 mm em adultos. Da aorta ascendente surgem as artérias coronárias direita e esquerda, que suprem o coração. Essa porção da aorta é envolvida pelo pericárdio, sendo considerada uma estrutura intrapericárdica.
O arco aórtico é a porção curva da aorta que conecta a aorta ascendente à aorta descendente. Ele se localiza no mediastino superior, aproximadamente ao nível da segunda vértebra torácica T2 e se estende até a borda inferior da quarta vértebra torácica T4, onde dá origem à aorta descendente.
Do arco aórtico surgem três ramos principais responsáveis pela irrigação da cabeça, pescoço e membros superiores. O tronco braquiocefálico se divide em artéria carótida comum direita e artéria subclávia direita. A artéria carótida comum esquerda supre a cabeça e o pescoço. A artéria subclávia esquerda irriga o membro superior esquerdo.
A aorta descendente se origina na borda inferior da quarta a sexta vértebra torácica (T4-T6) e se estende até o diafragma, terminando logo acima do tronco celíaco. Outra referência anatômica útil é que ela se inicia após a origem da artéria subclávia esquerda.
É essencial entender o conceito do istmo aórtico, pois pode ser cobrado em provas. O istmo aórtico é uma região de transição embriológica localizada entre a artéria subclávia esquerda e o ligamento arterial. Embora possa apresentar um estreitamento fisiológico, não deve ser confundido com uma estenose patológica.
A aorta descendente possui múltiplos ramos, que são divididos em parietais e viscerais
Parietais principais:
Viscerais principais:
A artéria frênica superior é um ramo da aorta abdominal, e não da aorta torácica.
Outro ponto relevante é a artéria de Adamkiewicz, também chamada de artéria radicular magna. Essa artéria não é um ramo direto da aorta descendente, mas geralmente se origina de uma artéria intercostal posterior ou lombar, mais comumente entre T9 e L2. Ela é fundamental para a perfusão da medula espinhal, e sua obstrução pode causar isquemia medular.
Um aneurisma é uma dilatação arterial que ultrapassa 1,5 vezes o diâmetro normal do vaso. Em valores absolutos:
A angiotomografia é o exame de escolha para diagnóstico, sendo superior à arteriografia e ao ultrassom.
A indicação cirúrgica varia conforme o segmento da aorta afetado:
Aneurisma da Aorta Ascendente:
Aneurisma do Arco Aórtico:
Aneurisma da Aorta Descendente:
Aneurisma Toracoabdominal:
A presença de aneurismas torácicos está associada a aneurismas abdominais em 20-25% dos casos. Portanto, sempre que um aneurisma for identificado na aorta torácica, é recomendável examinar o abdômen. No entanto, o contrário não é necessariamente verdadeiro, pois aneurismas abdominais nem sempre acompanham aneurismas torácicos.
Os principais fatores de risco incluem:
A etiologia mais comum é degenerativa, um termo que abrange tanto aterosclerose quanto alterações estruturais da parede arterial relacionadas ao envelhecimento.
O Tratamento Endovascular do Aneurisma Torácico (TEVAR) mudou o manejo desses aneurismas, reduzindo a necessidade de toracotomia e clampeamento da aorta, o que minimiza a isquemia dos membros inferiores e órgãos viscerais. O pós-operatório costuma ser mais rápido, com alta hospitalar em 24 a 48 horas.
No entanto, o TEVAR não elimina o risco de isquemia medular, especialmente quando há cobertura extensa de artérias intercostais. Para mitigar esse risco, é fundamental:
As principais complicações incluem:
A Shaggy Aorta é caracterizada por trombos murais irregulares na parede da aorta, que podem embolizar para os membros inferiores. Esse quadro é frequentemente associado à doença aterosclerótica avançada e a complicações tromboembólicas.
Tratamento recomendado:
Anticoagulação ou antiagregação (dependendo do risco trombótico e hemorrágico).
Evitar intervenções cirúrgicas desnecessárias, pois a remoção dos trombos pode aumentar o risco de embolização.